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Revista Portal Útil

Publicado por Marcela Ferreira em 10/05/2022 às 21:31.

Ainda que existam mais de 100 tipos diferentes de doenças que podem ser denominadas como câncer, todos eles possuem uma característica em comum: o crescimento desordenado de células que invadem órgãos e tecidos. 

E um dos principais tratamentos contra o câncer – a quimioterapia – pode trazer efeitos colaterais importantes e piorar ainda mais a qualidade de vida dessas pessoas.

Por isso, trouxemos este artigo um recurso terapêutico que tem sido utilizado para amenizar sintomas como fadiga, prostração, náuseas, vômitos, perda de apetite, diarreia, ansiedade e insônia tão comuns em pacientes que sofrem com câncer, em protocolos de quimioterapia. Vamos explicar o uso da cannabis medicinal nesse contexto e os benefícios já estudados. 

Confira conosco e boa leitura!

O que este artigo aborda:

Quimioterapia: entendendo o tratamento

Primeiramente, antes de entender a relação entre a cannabis e a quimioterapia, é importante compreender como o tratamento acontece e quais seus principais efeitos colaterais.

Cannabis e quimioterapia: como o uso medicinal da planta pode contribuir para o tratamento auxiliar do câncer

A quimioterapia é uma modalidade de tratamento que busca minimizar ou impedir o crescimento das células cancerígenas pelo corpo. Entretanto, não raras vezes,, as células saudáveis também são atingidas juntamente com as células cancerígenas.

Por isso, a quimioterapia, mesmo quando apresenta bons resultados, frequentemente causa importantes  efeitos colaterais como:

  • Náuseas e vômitos; 
  • Diminuição de apetite;
  • Fadiga e mal estar
  • Diarreia ou constipação intestinal;
  • Queda de cabelo e de pêlos do corpo;
  • Feridas em boca e mucosas, além de infecções pontuais;

O uso terapêutico da cannabis na quimioterapia

Após entender sobre o tratamento e seus efeitos, chegou a hora de relacionar a cannabis à quimioterapia e mostrar os resultados dos estudos neste contexto.

Aliás, é primordial entender que existem milhares de estudos científicos já publicados sobre o assunto, que é tão técnico, complexo e específico que existem hoje cursos de cannabis medicinal com o intuito de capacitar profissionais médicos para as práticas terapêuticas que envolvem a cannabis.

E se falamos em cannabis e quimioterapia, o primeiro ponto que é preciso explicar diz respeito aos benefícios para o paciente oncológico.

Como a cannabis pode beneficiar o paciente oncológico?

De modo geral, para pacientes em quimioterapia, a utilização da cannabis medicinal é utilizada como coadjuvante no tratamento oncológico. 

Para isso, é preciso que os profissionais envolvidos no tratamento avaliem e compreendam as propriedades terapêuticas e as possíveis formas de uso.

Dentre os principais benefícios da relação cannabis e quimioterapia, é possível apontar três, que relacionamos a seguir.

Melhora do sistema gastrointestinal

Conforme explicado acima, a quimioterapia afeta o organismo de modo a causar tanto no estômago como intestino, alterações que geram vômitos, constipação, diarreia, enjoo e dor abdominal. 

O uso da cannabis medicinal pode reduzir de forma significativa esses sintomas, uma vez que sua administração estimula o apetite e inibe náuseas e vômitos.

Estudos científicos mostram que o uso do derivado THC para o controle de náuseas e vômitos pode ser mais efetivo inclusive que os tratamentos convencionais ou placebo. Além disso, esse canabinoide ocupa a posição de destaque no tratamento adjuvante do paciente oncológico devido ao seu potencial de estimulação do apetite. 

Redução e controle da dor

Devido às propriedades analgésicas e anti-inflamatórias dos componentes da Cannabis, é possível obter bons resultados contra dores crônicas, comuns em pacientes com câncer.

Além disso, associar a Cannabis à quimioterapia frequentemente proporciona ao paciente uma sensação de relaxamento e bem estar, melhorando a sua qualidade de vida e própria a adesão ao tratamento oncológico..

Cannabis e quimioterapia para a saúde mental

Outro fator determinante para o sucesso no combate ao câncer é a condição psicológica do paciente. Isso porque, além dos efeitos colaterais físicos, é comum que pacientes oncológicos tenham quadros de ansiedade, insônia e depressão.

Como nosso cérebro possui receptores específicos que são estimulados pelos derivados canabinoides, o uso terapêutico é capaz de reduzir sintomas associados à ansiedade, depressão e melhorar o padrão de sono destes pacientes. .

Além disso, os canabinóides possuem o  potencial de modular o humor, melhorando a qualidade de vida de quem está em profundo sofrimento psíquico e permite que experiências cotidianas como se alimentar, ouvir uma música ou assistir a um filme possam se tornar mais prazerosas e enriquecedoras.

Existem contraindicações para o uso da cannabis na quimioterapia?

Existem algumas situações de alerta para o uso da cannabis em associação com a quimioterapia, em especial, imunomoduladores. Por isso, é essencial procurar um profissional médico capacitado na área e com ampla experiência prescritiva, principalmente porque existem estratégias terapêuticas específicas para cada perfil de paciente.

O que diz a Anvisa sobre o assunto?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2015 a legalidade da importação de medicamentos à base de canabidiol no Brasil. E em 2019, foram criados os requisitos para venda de produtos à base de cannabis para fins medicinais em todo o território nacional.

De acordo com os dados divulgados pela agência, só em 2020 foram 15.862 pedidos de importação de produtos à base de canabidiol. 

Dentre os milhares de pacientes atendidos por essa terapêutica, 26% eram de pessoas em tratamento para o câncer. O que mostra que a cannabis representa um importante potencial terapêutico na redução de efeitos colaterais associados à quimioterapia. 

Marcela Ferreira

Enfermeira pós graduada com especialização em traumas, urgência e emergência. 12 anos de experiência na área de saúde mental na rede SUS do município de Belo Horizonte. Atuo com criança, adolescentes, adultos e usuários de múltiplas drogas.

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