Com alta probabilidade de configuração do fenômeno no segundo semestre, especialistas apontam que variações bruscas de temperatura devem influenciar a escolha de equipamentos para residências, comércios e ambientes corporativos
O inverno está prestes a começar com um alerta climático no radar: a alta probabilidade de formação do El Niño ao longo do segundo semestre. A nota técnica conjunta de INPE, INMET, Funceme e Censipam indica chance superior a 80% de configuração do fenômeno, com possibilidade de persistência até o início de 2027. O cenário pode alterar o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, ampliando a atenção para conforto térmico, eficiência energética e escolha adequada de equipamentos de climatização.
Associado ao aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño costuma provocar impactos distintos no Brasil. A depender da intensidade do evento e da interação com outros sistemas atmosféricos, o fenômeno pode favorecer chuva acima da média no Sul, períodos mais secos no Norte e Nordeste e temperaturas mais elevadas em parte do Centro-Sul. O INMET também acompanha a possível confirmação do El Niño no segundo semestre de 2026, ressaltando que seus efeitos dependem de fatores como a temperatura dos oceanos Atlântico Tropical e Sul.
Embora o inverno seja tradicionalmente associado à queda de temperatura, a combinação entre noites frias, tardes mais quentes e períodos de baixa umidade tem tornado o planejamento do conforto térmico menos restrito às estações. Em residências, lojas, escritórios e pequenos negócios, a climatização passa a ser avaliada não apenas pela capacidade de resfriar ambientes em dias de calor, mas também pela versatilidade de uso ao longo do ano.
Nos últimos anos, equipamentos como ar-condicionado quente e frio ganharam espaço na conversa sobre consumo consciente. Conhecidos também como aparelhos de ciclo reverso, esses modelos podem resfriar o ambiente em períodos de calor e aquecer em dias de temperaturas mais baixas, o que tende a ser mais relevante em regiões com maior amplitude térmica, como Sul, Sudeste e áreas de altitude.
Empresas do setor de climatização, como a Frigelar, observam que o avanço de eventos climáticos mais irregulares muda a forma como consumidores avaliam esse tipo de compra. A instabilidade do clima amplia a necessidade de considerar não apenas a estação do ano, mas também a eficiência energética, o dimensionamento correto do equipamento e a versatilidade de uso em diferentes períodos.
Segundo análises do setor, o clima deixou de seguir uma lógica tão previsível para o consumidor. Em muitos estados, a mesma residência pode enfrentar dias frios, tardes quentes e períodos de baixa umidade em uma única estação. Essa variação faz com que a escolha do equipamento de climatização precise considerar a rotina de uso do ambiente, a capacidade adequada do aparelho e o consumo de energia ao longo do ano.
A preocupação com eficiência também deve pesar mais na decisão de compra. O Inmetro mantém o Programa Brasileiro de Etiquetagem para condicionadores de ar, com informações de desempenho dos produtos registrados e autorizados a utilizar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia. O órgão também orienta consumidores a observar critérios de economia no uso do ar-condicionado, sem comprometer o conforto.
Especialistas do setor recomendam que a escolha do aparelho considere o tamanho do ambiente, incidência solar, número de pessoas no espaço, rotina de uso e classificação de eficiência energética. Um equipamento subdimensionado tende a trabalhar por mais tempo para atingir a temperatura desejada, enquanto um modelo acima da necessidade pode elevar o gasto inicial sem ganho proporcional de desempenho.
Na avaliação de empresas que atuam com refrigeração e climatização, o ar-condicionado deixou de ser visto apenas como um item de verão. Em regiões com maior variação térmica, modelos quente e frio passaram a ser avaliados como alternativa para manter conforto em diferentes momentos do ano, desde que o consumidor escolha a capacidade adequada para o ambiente e observe a eficiência energética do equipamento.
Com a aproximação do inverno e a possibilidade de um El Niño configurado nos meses seguintes, o tema deixa de ser apenas sazonal. A climatização passa a integrar uma discussão mais ampla sobre adaptação das casas e ambientes de trabalho a períodos de maior instabilidade climática, em que frio, calor e baixa umidade podem se alternar com mais frequência ao longo do ano.
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