Revista Portal Útil

O PGR virou o documento central da segurança do trabalho no Brasil. Ele substituiu o antigo PPRA e ampliou o escopo: agora não basta listar riscos, é preciso mostrar o que a empresa está fazendo com cada um deles.

Um bom ponto de partida é analisar um modelo de pgr estruturado, para entender a ordem das seções e o nível de detalhe esperado em cada uma.

A seguir, um passo a passo direto de como o documento se organiza e onde a maioria das empresas erra.

O que este artigo aborda:

Grupo de cinco profissionais usando coletes e capacetes de segurança, examinando documentos em mesa.
Grupo de cinco profissionais usando coletes e capacetes de segurança, examinando documentos em mesa.
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As duas partes do PGR

O programa é formado pelo inventário de riscos e pelo plano de ação. O inventário descreve a realidade; o plano de ação descreve o que será feito para mudar essa realidade.

Essa separação é importante porque a fiscalização olha justamente a coerência entre as duas partes. Risco alto identificado sem ação correspondente é um sinal vermelho imediato.

O que precisa constar no documento

  • Identificação da empresa, do estabelecimento e das atividades desenvolvidas
  • Descrição das funções e do processo de trabalho de cada setor
  • Inventário com os perigos, as fontes geradoras e os trabalhadores expostos
  • Classificação do risco por severidade e probabilidade
  • Plano de ação com medidas, prazos, responsáveis e forma de acompanhamento
  • Registro das medidas já implementadas e do histórico de revisões

Estrutura resumida de um PGR

Seção

Conteúdo

Frequência de atualização

Dados da empresa

CNAE, grau de risco e setores

Sempre que houver mudança

Inventário de riscos

Perigos e exposição por função

A cada 2 anos ou após mudança

Matriz de risco

Classificação e priorização

Junto com o inventário

Plano de ação

Medidas com prazo e responsável

Acompanhamento contínuo

Monitoramento

Evidência do que foi executado

Anual, no mínimo

Quem pode elaborar

A elaboração exige responsável técnico habilitado em segurança do trabalho, com apoio de medicina do trabalho para a parte de saúde. Alguns riscos específicos pedem laudos complementares, como avaliação de ruído ou de agentes químicos.

Prazos que você precisa respeitar

A regra geral é revisão a cada dois anos. Empresas com sistema de gestão certificado podem ter prazo maior, e qualquer acidente grave, mudança de processo ou nova função obriga revisão imediata.

Erros mais comuns

  • Usar modelo pronto sem visita técnica ao local de trabalho
  • Listar risco sem indicar a fonte geradora e os expostos
  • Deixar o plano de ação sem prazo definido
  • Esquecer de guardar a evidência do que já foi executado
  • Não integrar o PGR com o PCMSO, gerando exames incompatíveis com os riscos

Conclusão

Um bom PGR é aquele que qualquer pessoa da empresa consegue ler e entender o que precisa ser feito. Quando ele vira ferramenta de gestão, e não só arquivo em gaveta, o resultado aparece em menos acidente e menos passivo trabalhista.

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