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A economia prateada chegou ao carrinho do comércio eletrônico brasileiro. O estudo Tsunami Prateado, conduzido pela Data8 com 2.500 brasileiros de 50 a 85 anos, mostra que 67% desse público compra pela internet. Já 70% das agências de publicidade nunca receberam um briefing dirigido a esse consumidor.

O que este artigo aborda:

Mulher de mais de 50 anos usa um laptop na sala de casa, com uma xícara na mão, enquanto acompanha uma loja online na tela
Mulher de mais de 50 anos usa um laptop na sala de casa, com uma xícara na mão, enquanto acompanha uma loja online na tela
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O que é a economia prateada e quem move esse consumo

A economia prateada reúne as atividades econômicas movidas por brasileiros com 50 anos ou mais.

A VEJA registra que a economia prateada movimenta R$ 1,8 trilhão no Brasil e deve dobrar nas próximas duas décadas. A cifra descreve um mercado consolidado, sustentado por renda previsível. O crescimento desse consumo corre à frente da estrutura montada para atendê-lo.

A faixa de 50 a 85 anos concentra renda formada ao longo de décadas, com orçamento mais estável que o da média. Esse perfil sustenta compra recorrente, com data conhecida e valor parecido a cada mês.

Do outro lado do balcão, o mesmo grupo empreende. A Agência Brasil descreve a força de consumidores e empreendedores com mais de 60 anos, com destaque para saúde, finanças, moradia e lazer. Quem vende também compra, e a exigência com o serviço recebido sobe junto.

Por que o consumidor 50+ já compra online sem ser visto

O consumidor 50+ já está no carrinho, mas segue fora do planejamento de quem vende.

A terceira edição do estudo Tsunami Prateado ouviu 2.500 brasileiros e foi apresentada no MMA Impact Brasil. Entre os que usam internet todos os dias, 67% compram pela rede. Ainda assim, 70% das agências nunca receberam briefing voltado a esse público.

O dado apareceu em cobertura sobre o consumo da economia prateada publicada pelo Marketing Future Today. A leitura é direta: o público chegou primeiro ao comércio eletrônico e o planejamento ficou para trás.

A invisibilidade aparece em detalhes práticos. Fonte pequena, cadastro longo e código de rastreamento sem tradução afastam quem não cresceu comprando por aplicativo. Essas barreiras são decisões de projeto, tomadas com outro comprador em mente.

O efeito chega ao caixa.

Uma campanha desenhada sem esse consumidor perde alcance, e uma operação desenhada sem ele perde a segunda compra, que é onde o público sênior costuma valer mais.

O que muda na entrega quando quem compra tem mais de 50 anos

Para o comprador sênior, a entrega pesa tanto quanto o preço anunciado na vitrine.

Prazo, embalagem e informação de acompanhamento foram desenhados para quem nasceu comprando pela internet. O consumidor 50+ chega com outra expectativa de clareza e menos paciência com pedido sem explicação. Um pedido que some do radar custa a confiança no canal inteiro, e não apenas a venda daquele dia.

Matheus Anselmo é fundador e CEO da LOG18K, empresa brasileira que faz armazenagem para e-commerce e cuida da expedição de marcas de suplementos e nutracêuticos que vendem pela internet.

Para o executivo, o comércio eletrônico brasileiro foi montado pensando em quem já nasceu comprando pela internet, embora a promessa seja a mesma para todo mundo: o pedido chega quando foi dito que chegaria, do jeito que foi anunciado.

Quando esse consumidor compra e não entende o que está acontecendo com o pedido, a falha está na operação que ninguém explicou.

Anselmo resume assim o padrão que a expedição persegue:

“Cada pedido que sai do armazém é uma promessa feita a uma pessoa. Por isso trabalhamos com conferência e checklist em cada etapa: para esse consumidor, um envio trocado não é um contratempo, é o motivo de nunca mais comprar online.”

Na prática, isso muda o que a operação escreve, e não só o que ela transporta.

Etapa nomeada por extenso, previsão de chegada em data cheia e um canal de resposta que devolve informação no mesmo dia reduzem a maior parte das ligações de dúvida.

Por que saúde e suplementos puxam o carrinho da geração prateada

Saúde é a porta de entrada do público sênior no comércio eletrônico.

Medicamentos e suplementos estão entre as categorias mais compradas por quem passou dos 50 anos. A economia prateada aparece primeiro na farmácia e na loja de produtos de saúde. O jogo nesse segmento está na recompra programada, mais do que na primeira compra.

Em entrevista sobre a renda dos idosos brasileiros na Revista PUC Minas, a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que esse grupo movimenta cerca de R$ 93 bilhões mensais, quase um quarto da renda das famílias no país.

Renda estável desloca o centro do relacionamento para a reposição mensal.

Camarano também aponta mercado grande de alimentos e suplementos vitamínicos nessa faixa. Para o varejo, o desdobramento é a recorrência: pedido que se repete, com data esperada e sem surpresa na entrega.

O que o varejo ainda erra com o consumidor sênior

O erro mais comum é tratar o comprador 50+ como iniciante digital.

Esse público compara preço, lê avaliação e finaliza o pagamento sem ajuda de ninguém. O atrito aparece depois do clique, na etapa que o varejo menos comunica ao comprador. Rastreio genérico, embalagem difícil de abrir e atendimento em canal único derrubam a recompra.

Três ajustes cabem na operação sem projeto novo:

  • informação de acompanhamento em linguagem comum, com etapa e data do pedido escritas por extenso
  • embalagem simples de abrir, com nota fiscal e instruções legíveis dentro do pacote
  • atendimento com pessoa disponível, além do robô que responde por texto

Há também um limite honesto nesse ajuste.

Nada disso substitui prazo real: quando a promessa de entrega é otimista demais, nenhuma comunicação salva a experiência, e o comprador sênior tende a abandonar o canal mais rápido que o cliente jovem.

A economia prateada deixou de ser projeção demográfica e virou volume de pedido no armazém. Quem ajusta a operação antes da campanha chega primeiro a esse consumidor, que compra de novo quando a entrega cumpre o combinado.

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