A MedGuias divulgou um levantamento inédito que analisa o comportamento de busca por especialistas em saúde no Brasil. O estudo combina informações oficiais da Demografia Médica no Brasil 2025 — produzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pela Associação Médica Brasileira — com uma base proprietária de mais de 2 milhões de buscas e agendamentos registrados na plataforma ao longo do último ano.
O cruzamento dos dados permite identificar como a distribuição de médicos no território nacional se relaciona com a demanda real da população, além de revelar diferenças importantes entre regiões, padrões de consumo em saúde e tendências para os próximos anos.
Entre as especialidades mais procuradas nacionalmente em 2025, a Ortopedia aparece na liderança, concentrando 17,6% das buscas realizadas na plataforma. Em seguida aparecem Ginecologia (16,2%), Oftalmologia (15,4%), Cardiologia (13,1%) e Urologia (11,8%).
A área de saúde mental também ganhou protagonismo. A Psiquiatria já representa 12,3% das buscas registradas pela plataforma, avanço significativo em relação aos 8,1% observados há três anos. Em contrapartida, termos relacionados a atendimento generalista, como “Clínico Geral” e “Médico de Família”, somaram apenas 4,7% das pesquisas, indicando um comportamento cada vez mais direcionado à busca por especialistas.
Os dados ainda evidenciam que diferentes regiões do país apresentam padrões bastante distintos de procura médica. No Norte e no Centro-Oeste, por exemplo, a Ortopedia concentra 22,8% e 21,4% das buscas regionais, respectivamente — números acima da média nacional. O movimento é associado ao perfil econômico dessas regiões, fortemente ligado ao agronegócio, mineração e atividades com maior desgaste físico.
Já na região Sul, a Psiquiatria aparece com participação acima da média brasileira, alcançando 15,6% das buscas. A Endocrinologia também registra procura elevada, chegando a 11,7%, reflexo de um cenário marcado pelo aumento de doenças crônicas e maior atenção à saúde mental e qualidade de vida.
No Sudeste, a Oftalmologia lidera o crescimento proporcional, atingindo 18,7% das buscas realizadas na plataforma. Especialidades como Alergia e Imunologia também aparecem em destaque, sugerindo influência direta de fatores urbanos, ambientais e do uso intenso de telas na rotina da população.
Além das tendências de comportamento, o estudo chama atenção para o desequilíbrio na distribuição de profissionais de saúde pelo país. Segundo a Demografia Médica 2025, mais da metade dos médicos brasileiros está concentrada nas capitais, embora esses municípios representem menos de um quarto da população nacional. Enquanto as capitais possuem média de 6,97 médicos por mil habitantes, o interior registra apenas 1,90.
O cenário é ainda mais crítico em alguns estados. No Amazonas, 95,5% dos especialistas estão localizados em Manaus. Em Roraima, 93,2% concentram-se em Boa Vista. Já em Sergipe, 91,6% atuam em Aracaju.
Na prática, isso impacta diretamente o comportamento digital dos pacientes. Segundo a MedGuias, 83% das consultas agendadas por usuários do interior são realizadas com médicos localizados nas capitais, consolidando um fenômeno de deslocamento assistencial impulsionado pelas plataformas digitais.
O levantamento também mostra diferenças relevantes no perfil das especialidades cirúrgicas. A Urologia segue sendo predominantemente masculina, com 96,5% dos profissionais homens. Em Ortopedia e Traumatologia, esse percentual chega a 92%, enquanto na Cirurgia Geral os homens representam 76,5% da categoria.
De acordo com a análise, a tendência para 2026 é de crescimento contínuo nas áreas ligadas ao envelhecimento populacional e às doenças crônicas. Cardiologia e Endocrinologia, juntas, já concentram quase um quarto das buscas nacionais realizadas na plataforma. Paralelamente, a saúde mental deve continuar em expansão diante do aumento consistente da procura por Psiquiatria nos últimos anos.
Para a MedGuias, o cruzamento entre dados oficiais e comportamento digital revela que a jornada do paciente brasileiro é influenciada por fatores territoriais, econômicos e sociais, além das limitações estruturais do acesso à saúde especializada no país.
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