Revista Portal Útil

Levantamento realizado a partir de centenas de projetos digitais mostra que atrair mais visitantes não significa necessariamente vender mais. A combinação entre SEO e CRO pode reduzir a dependência de mídia paga e aumentar a eficiência de conversão dos e-commerces.

Durante muito tempo, crescer no e-commerce parecia seguir uma lógica simples: investir mais em mídia para trazer mais pessoas para o site.

Mais orçamento. Mais cliques. Mais sessões. Mais vendas.

O problema é que essa conta nem sempre fecha.

Quando analisamos centenas de projetos de e-commerce ao longo dos últimos anos, um padrão começou a aparecer com frequência: muitas empresas não tinham necessariamente um problema de falta de tráfego. Tinham um problema de dependência de tráfego comprado e baixa eficiência de conversão.

Na prática, estavam pagando cada vez mais para colocar pessoas dentro de lojas que ainda não estavam preparadas para transformar uma parcela suficiente dessas visitas em vendas.

É justamente aí que SEO e CRO começam a mudar a lógica da aquisição.

O que este artigo aborda:

Análise de centenas de projetos mostra diferença de conversão entre tráfego orgânico e mídia paga no e-commerce
Análise de centenas de projetos mostra diferença de conversão entre tráfego orgânico e mídia paga no e-commerce
Pin It

Atrair visitantes e gerar vendas são duas coisas diferentes

O tráfego pago é uma ferramenta extremamente importante para o e-commerce.

Ele permite acelerar campanhas, testar ofertas, promover lançamentos, alcançar novos públicos e gerar demanda rapidamente.

Mas existe uma característica econômica que não pode ser ignorada: para manter o fluxo de aquisição via mídia, a empresa precisa continuar investindo.

Enquanto houver orçamento e eficiência nas campanhas, o canal continua trazendo visitantes.

O problema aparece quando o custo de aquisição começa a crescer, a conversão do site permanece baixa e a empresa passa a precisar de cada vez mais investimento para sustentar o mesmo ritmo de crescimento.

É comum observar operações acompanhando cliques, impressões e sessões crescerem enquanto o CAC continua pressionado.

Isso acontece porque tráfego não é sinônimo de receita.

Você pode dobrar a quantidade de visitantes de um e-commerce e não dobrar suas vendas.

Dependendo da experiência oferecida pelo site, pode nem chegar perto disso.

O que a análise de centenas de projetos mostrou

Entre 2021 e 2026, foram consolidados dados de mais de 450 projetos e operações digitais acompanhadas, somando aproximadamente 6 milhões de cliques analisados por meio de ferramentas como Google Search Console e Google Analytics.

A análise considerou principalmente aquisição de tráfego, comportamento dentro do site, avanço no funil de compra e conversões.

Um dos padrões encontrados foi a diferença de desempenho entre sessões provenientes da busca orgânica e sessões adquiridas por mídia paga.

Nos projetos analisados, operações maduras de busca orgânica apresentaram com frequência taxas de conversão na faixa de 3% a 5%, enquanto o tráfego pago apareceu mais frequentemente em faixas próximas de 1% a 3%.

Esses números não devem ser tratados como uma regra universal para todo e-commerce. Segmento, ticket médio, marca, produto, recorrência, preço, experiência de compra e intenção do consumidor interferem diretamente na conversão.

Mas a repetição desse comportamento em diferentes projetos levanta uma questão importante:

Por que algumas empresas continuam concentrando praticamente toda a estratégia de crescimento em comprar mais tráfego, mesmo quando existe uma oportunidade evidente de melhorar aquisição orgânica e conversão?

Segundo Felipe Moreno, especialista em SEO, CRO e crescimento para e-commerce, olhar apenas para o volume de acessos pode criar uma percepção errada sobre a saúde da operação.

“Quando uma empresa precisa comprar cada nova visita para continuar crescendo, ela ainda não construiu completamente um canal de aquisição. Construir tráfego orgânico e melhorar a conversão faz com que parte cada vez maior do crescimento deixe de depender exclusivamente do aumento da mídia.”

O CAC alto nem sempre é apenas um problema da campanha

Quando o custo de aquisição aumenta, a primeira reação de muitas empresas é olhar para a plataforma de anúncios.

Criativo.

Segmentação.

Campanha.

Palavra-chave.

Lance.

Tudo isso importa.

Mas existe outra variável extremamente importante: quantas das pessoas que chegam ao site realmente compram?

Imagine dois e-commerces recebendo tráfego com qualidade semelhante.

O primeiro converte 1% dos visitantes.

O segundo converte 3%.

No primeiro cenário, são necessárias aproximadamente 100 visitas para gerar uma venda.

No segundo, cerca de 33 visitas podem gerar a mesma venda.

Mantidas as demais variáveis, o segundo e-commerce precisa de aproximadamente um terço do tráfego para gerar uma compra.

É por isso que analisar CAC sem analisar CRO pode levar a diagnósticos incompletos.

Às vezes, a mídia não está trazendo visitantes ruins.

O site é que está desperdiçando visitantes caros.

SEO muda a economia da aquisição

SEO também custa dinheiro.

Exige estratégia, tecnologia, conteúdo, autoridade, profissionais, desenvolvimento, otimizações e acompanhamento.

Portanto, chamar tráfego orgânico de “tráfego gratuito” seria incorreto.

A diferença está em outro ponto.

No tráfego pago, existe um custo de mídia diretamente relacionado à aquisição contínua de visitantes.

No SEO, depois que uma página conquista relevância e passa a receber visitas organicamente, cada novo clique não exige que a empresa participe de um novo leilão de mídia pagando individualmente por aquela visita.

Isso transforma a dinâmica do canal.

Uma categoria otimizada pode continuar atraindo consumidores.

Um produto bem posicionado pode continuar recebendo buscas.

Um artigo pode continuar respondendo dúvidas meses ou anos depois de publicado.

Uma marca pode aumentar sua presença nas buscas sem precisar aumentar proporcionalmente o orçamento de anúncios.

É um modelo diferente de construção de demanda.

Mas SEO sozinho também não resolve

Existe outro erro comum.

A empresa investe em SEO, aumenta o tráfego orgânico e comemora o crescimento dos acessos.

Mas continua convertendo pouco.

Mais uma vez, tráfego não é o objetivo final.

É nesse momento que entra o CRO, ou Conversion Rate Optimization.

Enquanto o SEO trabalha para aumentar a descoberta e trazer usuários com intenção para o site, o CRO trabalha o que acontece depois do clique.

Página de produto.

Descrição.

Fotos.

Prova social.

Oferta.

Preço.

Frete.

Prazo.

Confiança.

Usabilidade.

Velocidade.

Versão mobile.

Carrinho.

Checkout.

Cada ponto de fricção pode representar consumidores que chegaram até a loja, demonstraram interesse e foram embora antes da compra.

A combinação das duas disciplinas muda a lógica:

SEO trabalha para trazer mais pessoas sem depender exclusivamente da compra de mídia. CRO trabalha para aumentar a quantidade dessas pessoas que se transformam em clientes.

Mais tráfego não deveria ser sempre a primeira resposta

Existe uma pergunta simples que pode mudar a estratégia de aquisição de um e-commerce:

Antes de investir para trazer mais 100 mil visitantes, o que aconteceria se a empresa conseguisse vender mais para os visitantes que já possui?

Essa pergunta parece óbvia, mas é ignorada com frequência.

Em muitos projetos analisados, os maiores gargalos não estavam no topo do funil.

Estavam entre a visualização de produto e a adição ao carrinho.

Entre o carrinho e o início do checkout.

Na experiência mobile.

Na ausência de elementos de confiança.

Na oferta.

Na organização das informações.

Ou simplesmente na dificuldade do consumidor em entender por que deveria comprar naquele e-commerce e não em outro.

Colocar mais mídia sobre um funil com esses problemas pode aumentar vendas em números absolutos, mas também aumenta desperdício.

Primeiro melhorar a eficiência e depois acelerar aquisição costuma produzir uma operação mais saudável.

O papel do tráfego pago continua sendo fundamental

Nada disso significa abandonar Google Ads, Meta Ads ou outras plataformas.

Pelo contrário.

Uma estratégia madura dificilmente deveria depender de um único canal.

Mídia paga pode acelerar aquilo que SEO leva tempo para construir.

Pode colocar uma oferta nova no mercado imediatamente.

Pode alcançar públicos que ainda não conhecem a marca.

Pode fazer remarketing para usuários conquistados por outros canais.

Pode testar produtos e mensagens antes que uma estratégia orgânica seja ampliada.

O problema não é utilizar mídia paga.

O problema é precisar aumentar mídia sempre que a empresa precisa aumentar vendas.

Existe uma diferença enorme entre utilizar mídia como alavanca de crescimento e utilizar mídia como única fonte de crescimento.

SEO e mídia paga também podem trabalhar juntos

Tratar SEO e tráfego pago como adversários também é um erro.

Os dois canais podem produzir inteligência um para o outro.

Termos que convertem bem em campanhas podem revelar oportunidades de SEO.

Páginas que conquistam boas posições orgânicas podem reduzir a necessidade de compra constante de determinadas buscas.

Dados de campanhas podem ajudar a validar ofertas.

Dados orgânicos podem revelar novas intenções de busca.

Landing pages desenvolvidas para mídia podem gerar aprendizados de CRO.

E páginas otimizadas para conversão beneficiam visitantes independentemente de terem chegado pelo Google, Instagram, anúncios, e-mail ou acesso direto.

O verdadeiro ganho aparece quando os canais deixam de competir por orçamento internamente e começam a trabalhar sobre o mesmo objetivo: aumentar receita com eficiência.

O melhor CAC não é necessariamente o menor CAC de uma campanha

Também é preciso ampliar a maneira como o CAC é observado.

Uma empresa pode possuir uma campanha extremamente eficiente e, ainda assim, uma estratégia de aquisição frágil caso quase toda a receita dependa daquela campanha.

Quanto maior a participação de marca, busca orgânica, recorrência, CRM, indicação e acesso direto, menor tende a ser a dependência de pagar novamente para alcançar clientes e potenciais clientes.

Por isso, uma análise de performance não deveria olhar apenas para:

“Quanto custa adquirir um cliente no Google Ads?”

A pergunta deveria evoluir para:

“Quanto custa para a empresa adquirir um cliente considerando todo o seu ecossistema de aquisição?”

Essa mudança altera completamente a forma de enxergar marketing.

A conversão potencializa todos os canais

Existe ainda um efeito importante do CRO que muitas empresas subestimam.

Quando a taxa de conversão melhora, não é apenas o SEO que se beneficia.

Google Ads melhora.

Meta Ads melhora.

Afiliados melhoram.

Influenciadores melhoram.

E-mail melhora.

Tráfego direto melhora.

Todo canal que leva um consumidor para aquele e-commerce passa a operar sobre um ambiente com maior capacidade de transformar visitas em receita.

É por isso que CRO não deveria ser tratado apenas como um projeto de alteração de botões ou cores.

Ele é uma camada de eficiência do negócio.

O crescimento mais saudável acontece quando aquisição e conversão evoluem juntas

Os dados analisados nos últimos anos mostram que o debate não deveria ser reduzido a “SEO ou tráfego pago”.

A pergunta mais relevante é outra:

Quanto da aquisição de uma empresa depende de dinheiro adicional investido todos os meses e quanto dela está sendo construída como ativo?

Mídia compra velocidade.

SEO constrói descoberta orgânica.

CRO aumenta eficiência sobre a audiência conquistada.

Quando os três trabalham juntos, a empresa passa a ter mais alternativas para crescer.

Se o custo de mídia sobe, existe tráfego orgânico.

Se o tráfego cresce, existe uma estrutura trabalhando para convertê-lo melhor.

Se uma nova campanha é lançada, ela leva o usuário para uma experiência já otimizada.

Essa combinação reduz a dependência de uma única alavanca.

O principal aprendizado dos dados

Depois de analisar centenas de projetos, a conclusão mais importante não é que um canal deve substituir o outro.

É que comprar mais tráfego não corrige uma operação que converte mal.

Da mesma forma, aumentar posições no Google não basta se esses acessos não se transformarem em receita.

O crescimento sustentável acontece quando a empresa consegue fazer três coisas ao mesmo tempo:

atrair consumidores com intenção, reduzir progressivamente a dependência de aquisição paga e transformar uma parcela maior das visitas conquistadas em clientes.

É nesse ponto que SEO deixa de ser apenas uma estratégia de posicionamento.

E CRO deixa de ser apenas uma otimização de site.

Juntos, eles passam a fazer parte da estratégia econômica de crescimento do e-commerce.

Sobre o levantamento

Os dados mencionados neste artigo foram consolidados a partir de mais de 450 projetos e operações digitais acompanhados entre 2021 e 2026, representando aproximadamente 6 milhões de cliques analisados. A base inclui diferentes segmentos de e-commerce e utiliza informações provenientes principalmente de Google Search Console, Google Analytics e plataformas de mídia. Os percentuais apresentados representam padrões observados na amostra e não devem ser interpretados como benchmark universal para todos os segmentos.

Artigos relacionados:

Este artigo foi útil?

Agradeçemos o seu feedback.

Redação

A redação da Revista Portal Útil é formada profissionais com vasta experiência em diversos setores de atuação.

Pode ser do seu interesse